Educação

Um homem morre de câncer de próstata a cada 45 minutos no Brasil

(Foto: Divulgação )

Os argumentos são variados na hora em que um homem tenta se explicar sobre os motivos de não procurar por um médico, e se o assunto for o exame de prevenção ao câncer de próstata, muitas explicações serão somadas à falta de tempo e ao fato de que ele se sente “bem”, sem nada que desperte alguma preocupação...

No consultório do médico urologista em Foz do Iguaçu Gustavo Cruz essa realidade não é diferente. Mais da metade dos atendimentos que ele realiza é em homens com alguma alteração da próstata e, desse total, quase todos só vão ao consultório se estiverem acompanhados por suas companheiras. “É perceptível no dia a dia da clínica a dificuldade que o homem tem em buscar por prevenção sozinho, alguns até se orgulham de nunca irem ao médico, no entanto, aí é que está o problema, pois o homem que não busca a prevenção, pode estar perdendo uma chance preciosa de tratar ou até de curar uma doença, como o Câncer de Próstata, por exemplo”, pontua.

O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele. Dados do Instituto Nacional do Câncer, o Inca, estimam 68.220 novos casos em 2018, o que equivale a aproximadamente 66,12 casos novos a cada 100 mil homens.

Conforme dados do Ministério da Saúde, mais de 14 mil homens morreram em 2017 de câncer de próstata, uma média de um homem a cada 45 minutos. “São dados alarmantes que o mês de novembro nos possibilita divulgar e, principalmente, promover a conscientização e a cultura da prevenção”, alerta o especialista.

Saiba mais

A próstata é um órgão muito pequeno do corpo do homem e que se localiza na parte baixa do abdômen. “Tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto, envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada e produz parte do sêmen, liberado durante o ato sexual”, explica Gustavo Cruz.

Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do País e pelo aumento na expectativa de vida. “Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³) que não chega a dar sinais durante a vida nem a ameaçar a saúde do homem”, complementa.

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Fatores de risco

A partir dos 50 anos, os homens devem se consultar anualmente com um urologista. Mas aqueles que têm casos de câncer de próstata em parentes próximos (pai, irmãos ou tios) precisam procurar atendimento com um especialista aos 45 anos, porque fazem parte do grupo de risco, assim como os negros, que, segundo estudos, são mais propensos a desenvolver esse tipo de câncer mais cedo.

Fatores de risco que podem aumentar as chances de um homem desenvolver câncer de próstata: idade; histórico de câncer na família; e sobrepeso e obesidade: estudos recentes mostram maior risco de câncer de próstata em homens com peso corporal mais elevado.

Sintomas:
· dificuldade de urinar;
· demora em começar e terminar de urinar;
· sangue na urina;
· diminuição do jato de urina;
· necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

Exames

Para investigar os sinais e sintomas de um câncer de próstata e descobrir se a doença está presente ou não, são feitos basicamente dois exames iniciais.

· Exame de toque retal: o médico avalia tamanho, forma e textura da próstata, introduzindo o dedo protegido por uma luva lubrificada no reto. Este exame permite palpar as partes posterior e lateral da próstata.

· Exame de PSA: é um exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata - Antígeno Prostático Específico (PSA). Níveis altos dessa proteína podem significar câncer, mas também doenças benignas da próstata.

Tratamento

O câncer de próstata é feito por meio de uma ou de várias modalidades/técnicas de tratamento, que podem ser combinadas ou não. A principal delas é a cirurgia, que pode ser aplicada com radioterapia e tratamento hormonal, conforme cada caso.

Quando localizado apenas na próstata, o câncer de próstata pode ser tratado com cirurgia oncológica, radioterapia e até mesmo observação vigilante, em alguns casos especiais. No caso de metástase, ou seja, se o câncer da próstata tiver se espalhado para outros órgãos, a radioterapia é utilizada junto com tratamento hormonal, além de tratamentos paliativos.

Robótica usada no tratamento

A cirurgia com o uso da robótica, tecnologia que já é realidade no Brasil, permite uma intervenção menos invasiva e com melhor recuperação para o paciente. “Eu trabalho em parceria com a equipe de Cirurgia Oncológica Robótica de Porto Alegre [Hospital das Clínicas e Hospital Moinhos de Vento] e também de São Paulo (Hospital Sírio Libanês), onde realizamos as cirurgias robóticas nos pacientes com câncer de próstata”.

A HPB é caracterizada pelo aumento da glândula da próstata. Está associado à idade e pode vir acompanhada da dificuldade em urinar. Os sintomas da Hiperplasia da Próstata podem ser leves podendo ir e vir com o passar dos meses. Os pacientes, na maioria, são tratados com medicamentos, como os alfa-bloqueadores que melhoram os sintomas e o fluxo de urina pelo relaxamento dos músculos da próstata.