Cotidiano

Um em cada dois trabalhadores na região está na informalidade

Somente nas seis maiores cidades do oeste são quase 230 mil pessoas nessas condições
Retorno da informalidade indica que crise ainda está longe de ser totalmente superada (Foto: Aílton Santos)

Toledo - Se a projeção dos especialistas era para recuperação, fatores externos que não estavam previstos, como o acirramento da crise política e principalmente a greve dos caminhoneiros, com reflexos ainda sendo sentidos, frearam o avanço das contratações formais com a retração da economia e, com isso, o que se viu foi um aumento nos empregos informais.

Segundo o diretor-presidente do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Júlio Takeshi Suzuki Júnior, para cada trabalhador com carteira assinada, outro trabalha “por conta própria”. Na maioria dos casos são pessoas que ficaram desempregadas, não conseguiram recolocação e precisaram assegurar ganhos e bancar as contas da casa.

As seis maiores cidades da região - Assis Chateaubriand, Cascavel, Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, Medianeira e Toledo - fecharam o primeiro semestre deste ano com 230 mil trabalhadores informais, tendo em vista que um número idêntico fechou o período nesses mesmos municípios com carteira assinada, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Esse número consolida um aumento de 2% nos postos informais comparados o primeiro semestre deste ano com o do ano passado, quando na região se estimava 225 mil trabalhadores informais em um dos piores momentos da crise econômica já vivida no País.

Segundo o diretor-presidente do Ipardes, apesar das análises de que o mercado possa voltar a contratar neste segundo semestre, o cenário ainda é de muita cautela. A justificativa está, por exemplo, nas eleições presidenciais marcadas para daqui a dois meses. “Se vencer um candidato que os empresários sintam mais confiança, a tendência é para a retomada das contratações ainda neste ano. Se for um candidato mais populista e que não ofereça confiança, o empresário vai seguir com o pé no freio, com cautela”, alertou.

Essas incertezas afetam o mercado, inclusive, rumo ao fim de ano, quando os comerciantes começam a pensar nas contratações para o principal período de vendas. Já de olho no Natal, o que geralmente ocorre nos meses de setembro e outubro para este ano ainda é sinônimo de incerteza. “Como projeção, prefiro não arriscar. Não sabemos como será, não tem como medir isso ainda. Então o melhor caminho é não arriscar”, considerou.

Contratações temporárias devem ocorrer mais tarde

Para o vice-presidente do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas do Comércio Varejista de Cascavel e da região oeste do Paraná), Leopoldo Furlan, o mercado está oscilando muito, mas o que se espera é um fim de ano melhor que o dos três últimos anos, de 2015 para cá.

Para ilustrar essas expectativas, ele reconhece que o mês de julho, por exemplo, foi de muitas demissões no comércio, apesar de os dados oficiais ainda não terem sido divulgados. “Por outro lado, foi um dos melhores meses no ano no quesito otimismo tanto de vendedores quanto de compradores na região. Foi um mês de movimento e de crescimento, indicando uma possível melhora. Ocorre que em um ou outro dia sentimos essa melhora e em outros cai o movimento. Na soma dos fatores, há uma animação e uma confiança maior porque pior do que estava nos anos anteriores acredito que nem possa ficar”, reforçou.

Para Furlan, a região tende a viver um segundo semestre e um fim de ano mais otimista quando o assunto são as compras e isso se deve aos bons números das safras agrícolas, numa região onde a economia é predominantemente voltada para o agronegócio. “Claro que não podemos esquecer que enfrentamos a greve dos caminhoneiros, acabamos de sair da Copa e ainda tem o cenário político com as eleições, tudo isso tem bagunçado a economia, mas acredito que tenhamos melhoras”, argumentou.

O vice-presidente do Sindilojas acredita ainda que diante de todos esses cenários, sobretudo com as eleições presidenciais e se houver um segundo turno, as contratações temporárias de fim de ano deverão vir mais tarde. “É um risco que o lojista corre em contratar e não ter um profissional tão bem preparado para atender seus clientes, mas também é uma segurança para ele observando a economia”, avaliou.

Para Leopoldo, o que deve ser feito, já de olho no fim de ano, é o estímulo para que as famílias entrem no clima, consumam, mas que comprem com consciência evitando os endividamentos comuns no início de cada ano. “O lojista precisa vender, mas para quem paga para ele também não entrar na lista dos inadimplentes”, destacou.