Policial

Sistema penitenciário pode entrar em colapso em 1 mês

Agentes retomam funções, mas alertam para risco de greve geral diante da precariedade e inércia do governo

Catanduvas - Os agentes penitenciários em execuções penais que atuam no presídio de segurança máxima de Catanduvas, onde estão cerca de 160 presos considerados de altíssima periculosidade, retomaram algumas funções deixadas mês passado após o fim do prazo para o governo federal publicar medida provisória com o plano de reestruturação das carreiras desses profissionais.

Por cerca de duas semanas as funções de chefias informais ficaram vagas e não estavam sendo feitas escoltas de presos por agentes em dias de folga diante da falta de profissionais para exercerem suas funções durante as escalas normais de trabalho.

O Ministério da Segurança Pública chegou a anunciar o envio de 35 homens da Força Nacional para o presídio, mas recuou pouco depois de ter até listado os agentes que viriam a Catanduvas. Conforme noticiado pelo Jornal O Paraná, a portaria chegou a ser publicada e sua revogação só ocorreu três dias depois, após intensa repercussão do assunto.

Segundo a Federação Nacional dos Agentes Federais em Execuções Penais, as funções foram retomadas na tentativa de um posicionamento rápido do Ministério da Segurança Pública, com quem ainda se tenta dialogar a reestruturação das funções não apenas em Catanduvas, mas de profissionais que atuam nas outras três unidades federais, em Mossoró (RN), em Porto Velho (RO) e em Campo Grande (MS).

O pedido de uma audiência com o ministério já foi realizado, mas ainda sem respostas.

Vale destacar que nas quatro unidades estão mais de 500 detentos, inclusive poderosos e perigosos líderes de facções criminosas a quem se tenta isolar para quebrar as cadeias de comando.

Colapso

A afirmação dos próprios agentes, por outro lado, é enfática de que o sistema “caminha para um colapso” e que isso pode ocorrer em setembro. Uma greve geral está entre os planos.

O prazo é aleatório, mas coincide com o período dado pelos profissionais para uma resposta do Ministério da Segurança Pública e, caso isso não ocorra, os agentes tendem a cruzar os braços.

Inteligência monitora o PCC

As forças de segurança estão em constante monitoramento e o serviço de inteligência atua fortemente neste momento para identificar atentados que estão programados para os próximos dias orquestrados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital).

Entre os marcados para a morte também estão agentes que atuam em Catanduvas, por serem, de certo modo, “alvos fáceis” para a facção.

Os atentados estão programados para este mês com um motivo bastante peculiar: a comemoração dos 25 anos da organização paulista, que age dentro e fora dos presídios e que é classificada por forças de segurança como célula terrorista.

A escolha de alvos no Paraná não é aleatória nem ocorre por acaso. Aqui está a segunda maior casa da facção, atrás apenas de São Paulo. Casado a isso está um elevado número de “batizados” presos, além de Catanduvas, em penitenciárias estaduais.

Ainda de acordo com a Federação, o serviço de inteligência está em constante monitoramento, mas se sabe que ações de represália ao sistema penitenciário podem estar a caminho. Uma das missões do serviço de inteligência está na decodificação de recargos vindos de dentro das unidades prisionais, enviados por códigos por líderes da facção. Esses recados chegam do lado de fora para a chamada Sintonia Restrita, que trabalha para o bando traduzindo as ordens dadas para matar. O PCC completa 25 anos no dia 31 deste mês.