Cotidiano

Samuel sendo Samuel neste Dia dos Pais

Das visitas no hospital à alegria de ter um Dia dos Pais com todos novamente em casa: “Esta é minha maior felicidade”, diz o pai

Cascavel - Samuel Angelo Bom é filho do funcionário público Angelo Bom e de Adriana Manfrin Bom, é irmão da Maísa e da Lavínia, sua irmã gêmea. Os seus primeiros quatro anos de vida foram iguais a de qualquer outra criança, mas tudo mudou no dia 14 de agosto de 2017. Coincidentemente, um dia depois do Dia dos Pais. “Tivemos um Dia dos Pais tão divertido e no dia seguinte [longa pausa] foi um desespero, um baque”, lembra o pai.

Samuel estudava, era alegre, sarrista, mas alguns aspectos chamavam a atenção. Ele estava crescendo numa velocidade muito maior que a irmã gêmea e o nascimento de pelos pubianos alertaram pais e médico.

O resultado da ressonância magnética tirou-lhes o chão. Um tumor na cabeça do tamanho de uma laranja que pressionava e acelerava o crescimento de Samuel.

Na cabeça dos pais, a pergunta derradeira: “O que de errado fizemos para que isso acontecesse?”. A resposta veio do corpo médico de altíssima qualificação do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba: “Nada!” O tumor foi obra do acaso, daqueles que surgem ainda na formação do embrião. Só que precisava ser removido com agilidade e rapidez.

O quadro era crítico e extremamente delicado. Os meses seguintes provaram isso na prática. “O Samuel saiu da consulta direto para uma ambulância rumo ao hospital em Curitiba. Foi tudo muito rápido, não deu nem tempo para pensar, reagir. Apenas fizemos. Fomos para Curitiba e iniciamos a jornada. Sabíamos que seria longa, mas não imaginávamos como seria árdua”, contam os pais.

Após o internamento, os preparativos e o encaminhamento para a cirurgia delicada, arriscada e sem garantias. Entre os momentos de desespero e de confiança, a família reconhece que, não fosse a fé, a união familiar e um corpo clínico excepcional, algumas barreiras seriam intransponíveis.

Na cirurgia que durou várias horas, problemas associados exigiram que fosse encerrada antes da remoção total do tumor. Dali Samuel seguiu para a UTI, onde passou cinco meses, e tiveram início as sessões de quimioterapia e de radioterapia.

Boa parte desse período Samuel esteve inconsciente, entubado. “Uma noite ele começou a inchar muito, estava gelado, não respondia. Já era madrugada, fiquei apavorada, peguei o telefone e liguei para o meu marido desesperada, achando que ele estava partindo. Que momento difícil... Até que ele voltou a responder aos estímulos”, conta a jovem mãe.

Entre uma melhora e outra, idas e vindas de casa para o hospital, as respostas ao tratamento agressivo também foram surgindo. No início deste ano, após uma das seções, Samuel precisou voltar para o hospital fazer novos exames. Ele fora atacado por uma bactéria que, no corpo frágil pela ação dos medicamentos, causou-lhe uma pneumonia extremamente agressiva. O garoto volta então para a UTI mais uma vez entre a vida e a morte. O coração ameaçava parar, a respiração dependia da entubação, os rins estavam entrando em falência. Foi impossível não se render ao desespero: “Naquele momento pedi e entreguei meu filho para que o melhor acontecesse. Eu jamais desisti ou desistiria do meu filho, mas pedimos que fosse como tivesse que ser”, contam os pais.

A batalha foi exaustiva, longa, difícil, exatos 90 dias dentro de um leito hospitalar. Lembram das irmãs de Samuel? Elas ficavam sob o cuidado dos avós, dos tios e dos parentes enquanto Angelo e Adriana se revezavam no hospital, ao lado do pequeno guerreiro.

Após quase três meses na UTI, mais um tempo no quarto e então, há dois meses, a boa notícia: Samuel podia seguir com o tratamento em casa, ao lado das irmãs e com a família. Os pais? Mal se aguentam de tanta alegria: “Este vai ser um Dia dos Pais muito especial, o Samuel em casa, todos juntos novamente. É uma alegria viver este momento”, confessa Angelo.

Do medo de perder a batalha, agora a esperança. Há poucos dias os pais de Samuel publicaram em rede social a celebração da vitória: “Samuel sendo Samuel. Depois das piores fases do tratamento, ele foi voltando a ser como antes, sempre bem humorado e tirando onda de tudo, foi gradativo, mas eu diria que neste momento ele é o mesmo menino sapeca de antes, com algumas limitações, mas isso não tira o bom humor natural dele. Ele tem passado bem, chegou à fase mais sonhada do tratamento, o acompanhamento. Tivemos duas ressonâncias ‘limpas’, o que significa que tudo valeu a pena. Demoramos pra dar essa notícia, queríamos um segundo resultado ‘limpo’, e graças a Deus esse segundo resultado repetiu o que o primeiro mostrou. Não tem mais indício de tumor no cérebro do Samuel, graças a Deus! Ele vai continuar repetindo as ressonâncias periódicas pra monitorar, agora no início cada três meses depois o intervalo vai aumentando até que um dia ouviremos que o Samuel está definitivamente curado. Temos uma luta grande pela frente, os tratamentos agressivos que ele passou deixaram diversas sequelas e agora é o momento de correr atrás do prejuízo. Se livrar do oxigênio, comer, andar, voltar pra escola e brincar como toda criança espoleta, essa é a meta. E pra ter tudo isso de volta, ele vai precisar de acompanhamento de várias especialidades médicas. Ele também toma medicamento para dores musculares e para dormir porque ficou com trauma de tudo que viveu e desenvolveu ‘terror noturno’, acorda de pesadelos muito assustado e com medo”.

E eles terminam a nota assim: “Hoje divido com vocês a felicidade de ter meu filho curado e feliz. Samuel é um grande milagre de Deus e no Dia dos Pais, quando os pais costumam ser o herói, desta vez a história se inverteu. O gigante herói é o nosso Samuel”.