Cotidiano

Protesto de famílias acaba em confusão

(Foto: Aílton Santos)

Capitão Leônidas Marques - Cerca de 60 integrantes das famílias atingidas pela barragem da Usina Baixo Iguaçu protestaram novamente na BR-163 próximo ao trevo de acesso a Capitão Leônidas Marques. O grupo alega ter sido surpreendido por atitudes violentas de policiais militares e rodoviários federais.

De acordo com a agricultora Maristela da Costa Leite, armas foram apontadas para os manifestantes que fecharam a rodovia. No início da tarde, filas de veículos se formaram por cerca de 18 quilômetros nos dois sentidos da rodovia federal por conta do protesto.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o que houve foi uma agressão de um oficial por um dos manifestantes. “Os policiais entraram em acordo com os manifestantes para que a pista fosse liberada de 20 em 20 minutos. Porém, no momento de fazer a segunda liberação, um dos manifestantes desacatou o policial e desferiu um soco no rosto do policial”, conta o inspetor Antonio Gradin.

Ele informou ainda que outro policial tentou prender o agressor, mas ele foi protegido pelos demais manifestantes e conseguiu fugir. Virou uma confusão no local.

A PRF afirma que toda a situação está gravada em vídeo e que o policial agredido já realizou o exame de corpo de delito, que será enviado com as imagens para a Polícia Federal que investiga casos de desacato e agressão contra policiais.

O acusado continua foragido e está sendo procurado pela polícia.

Já a Polícia Militar informou que os oficiais não mantiveram contato com os manifestantes e só estavam no local para garantir a ordem.

O grupo decidiu pela desmobilização após a promessa de que representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública vão se reunir nesta quinta-feira com os atingidos para auxiliar na resolução da situação. No entanto, eles prometem fechar novamente a rodovia hoje.

A manifestação

Os manifestantes decidiram pelo protesto para cobrar do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) uma posição a respeito de áreas tratadas pelo consórcio como remanso no licenciamento ambiental, que, de acordo com as famílias, devem ser alagadas ou mesmo prejudicadas pelo alagamento, porém sem indenização. “Essas áreas chamadas de remanso são áreas inutilizadas devido ao alagamento e devem ser pagas às famílias. São 79 áreas que o consórcio trata como remanso e não quer pagar por elas. Em 2013 já foi feito um recadastramento porque muitas famílias ficaram fora do público atingido por conta da redução de custos e menor impacto socioambiental e, assim, eles usam o remanso como uma forma de não indenizar as famílias. Por isso, na audiência pública realizada sobre o assunto o IAP se comprometeu a nos ajudar a resolver a situação e disse que em 20 dias nos daria uma posição. Como esse prazo venceu, nós estamos aqui cobrando uma reposta”, disse a agricultora Maristela da Costa Leite.

IAP

O IAP informou à reportagem do Jornal O Paraná que está concluindo as análises e já tem reuniões técnicas agendadas para fechar o parecer final. Porém, só deve se manifestar para a imprensa após reunião com os atingidos pelo empreendimento, conforme acordado com eles.

 

Outros questionamentos

As famílias também aguardam posicionamento do Ministério Público e da Defensoria Pública para os cerca de 50 casos de desapropriação que ainda seguem na Justiça sem uma posição e outros 70 casos de famílias que tiveram os direitos indenizatórios negados.

De acordo com Maristela da Costa Leite, existe ainda a situação do reassentamento das famílias. “Nos dois reassentamentos já existem 16 famílias em fase de mudança, mas pelo menos 20 ainda estão com a situação indefinida, algumas delas estão entre as que têm entrave judicial. Então nós precisamos que o consórcio veja essa questão, mais uma área de reassentamento deve ser comprada para essas famílias”.

A preocupação é com o prazo para o alagamento das propriedades se aproximando e a falta de soluções. “Tudo vai ser alagado em novembro e até agora nada foi solucionado. Precisamos da ajuda do IAP e da Copel. São cerca de 200 famílias que ainda não tiveram a situação resolvida, nós precisamos de respostas, não podemos morar na rua”, enfatiza Maristela.