Policial

Policiais civis podem fazer greve se não houver acordo

O Sinclapol (Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná) não descarta uma greve geral

Cascavel - O Sinclapol (Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná) não descarta uma greve geral. Durante quarta e quinta feiras, os policiais de todo o Estado realizaram uma paralisação, atendendo apenas a situações de emergência, e se não houver avanços nas negociações com o governo, a categoria poderá parar de vez.

“Não está descartada uma greve. Estamos em assembleia permanente e são os próprios policiais que estão decidindo, junto à diretoria do sindicato, quais são os rumos a serem tomados. Nós ouvimos o clamor da base e resolvemos dar suporte”, comentou o vice-presidente do Sinclapol, Fábio Barddal Drummond.

Uma das principais reivindicações da categoria é que os policiais civis deixem de fazer a guarda de presos abrigados nas carceragens das delegacias, função exclusiva de agentes carcerários. Os policiais são obrigados a cuidar de detentos, prejudicando o atendimento à população e o trabalho de investigação, ressalta o sindicato.

Além disso, os servidores reclamam da escala de serviço excessiva e pedem a contratação de novos policiais. Conforme o Sinclapol, o quadro da Polícia Civil conta com 4,3 mil policiais, quando o ideal seria de 13 mil. Ainda segundo a associação, há policiais trabalhando mais de 70 horas por semana, com as 40 horas regulamentares.

“O quadro da Polícia Civil é de 1982, quando a população do Estado era metade do que é hoje, e quando o crime era muito menor. além de a população dobrar e os índices de criminalidade também cresceram. É impossível atender uma demanda desse tamanho com um quadro de 34 anos atrás”, ressaltou Drummond.

Para o sindicato, a defasagem no quadro de servidores da Polícia Civil pode decretar o fim da corporação, se nada for feito para mudar isso. “É caótica a nossa situação. Nosso objetivo é reconstruir a instituição. A Polícia Civil está acabando. Da maneira que está, se não for feito um projeto de recuperação, ela vai acabar”, finalizou o vice-presidente.

Policiais sem coletes não irão às ruas, diz Sinclapol

Na quarta-feira, além de iniciarem a paralisação de 48 horas, os policiais civis realizaram a devolução de coletes balísticos vencidos. O Sinclapol aponta que grande parte dos equipamentos venceu dois anos atrás, mas que existem, inclusive, coletes com data de validade expirada há cerca de 10 anos.

Conforme o sindicato, os servidores deixarão de sair às ruas enquanto não houver a entrega de novos equipamentos. Os policiais se restringirão apenas a realizar atividades que não coloquem em risco a sua integridade física, trabalho como intimações e investigações feitas de forma velada.

“É inaceitável que o policial vá para a rua com colete vencido. Há uma situação de risco, o revide é iminente. É inaceitável que o policial realize atividades de risco com o colete que não tem mais garantia. Ele tem um período em que é eficaz. Passado esse período ele perde a eficácia”, explicou Fábio Barddal Drummond, vice-presidente do Sinclapol.

Segundo Drummond, a Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária) anunciou que o Paraná está prestes a receber cerca de dois mil coletes, entregues pelo Ministério da Justiça. Os equipamentos, no entanto, não devem sanar o problema, já que também serão destinados à Polícia Civil.

“Esses coletes chegarão ao Estado, mas não apenas para atender à Polícia Civil. Temos a Polícia Militar, que é uma instituição com cinco vezes o nosso tamanho, e sabemos que eles também têm esse problema. Então, dois mil coletes em um universo de 25 mil policiais não vai resolver muita coisa”, disse o vice-presidente.

O Governo do Estado afirmou que nesta semana foi finalizada uma licitação para a aquisição de oito mil coletes. De acordo com a Sesp, os equipamentos estão sendo testados para na sequência serem entregues aos policiais.