Policial

Paraná tem crescimento de 69% em pontos vulneráveis

Polícia depende quase que exclusivamente de denúncias e flagrantes são cada vez mais difíceis (Foto: Aílton Santos)

Cascavel - O Paraná é o Estado com o maior número de pontos vulneráveis para exploração de crianças e de adolescentes em todo o País. O diagnóstico faz parte do Mapear, estudo divulgado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) que identifica os principais pontos desse timo de crime. No Brasil, foram encontrados 2.487 pontos vulneráveis, um aumento de 20% em relação ao estudo anterior, de 2013/2014, com 1.969 pontos identificados.

Com um crescimento de 69% entre os dois estudos, o Paraná saltou da terceira posição para o primeiro lugar, com um total de 299 pontos identificados pela PRF. Em 2013/2014 havia 179. Já com relação aos pontos considerados críticos, o Estado fica em quinto no ranking nacional, com total de 29.

O Mapear 2017/2018 tem 68 páginas e, segundo a PRF em Curitiba, fizeram parte da identificação todos os policiais rodoviários federais do País: mais de 10 mil homens.

Apesar de o estudo revelar os pontos no País e dos estados, a polícia não revela a localização exata dos pontos. A PRF argumenta que se trata de uma questão de segurança, para evitar a migração dos criminosos. Contudo, a própria PRF admite a dificuldade em coibir esses crimes.

Isso porque depende de flagrantes: “Vamos ao local se houver a denúncia pelo disk 100, telefone usado especificamente para denúncias desse tipo. Por exemplo, se houver denúncia que às margens da rodovia há uma menina entrando em um caminhão é muito difícil de fazer o flagrante”, argumenta a presidente da Comissão Regional de Direitos Humanos, Aline Acioli.

A PRF atua em parceria com o Conselho Tutelar ou com outras forças que possam garantir a proteção à criança e ao adolescente. Porém, no mapeamento, não há quantidade de vítimas desse tipo de crime atendidas ou que estariam nas mãos dos exploradores.

Na Região Sul do País, há 575 pontos vulneráveis de exploração, sendo 75 classificados como críticos, 147 de alto risco, 249 de médio risco e 104 de baixo risco.

Ações são sigilosas

Até bem pouco tempo, as ações de combate à exploração sexual infantil eram divulgadas e contavam com o apoio da imprensa. Hoje, isso não acontece mais.

Segundo a PRF, em outubro foi realizada uma operação na região oeste. Outra teria sido realizada este mês. Porém, são trabalhos mantidos sob sigilo para “evitar a migração do crime”.

O mapeamento para o enfrentamento desses crimes tem abrangência nacional e inclui mais de 65 mil quilômetros de rodovias e estradas federais. No estudo deste ano, o número absoluto de pontos cresceu, mas houve redução expressiva dos pontos críticos, de acordo com a polícia, que acredita que os tenham migrado para outros locais que não sejam rodovias federais.