Cotidiano

Operação confirma quase 3 mil hectares desmatados

Ação resultou na aplicação de R$ 13 milhões em multas e apreensão de 5.089 metros cúbicos de madeira
Áreas fiscalizadas haviam sido definidas com imagens de satélite (Foto: Divulgação )

Curitiba- Balanço parcial da Operação Nacional Mata Atlântica em Pé, que envolveu Ministérios Públicos e órgãos ambientais de 15 estados, confirmou o desmatamento de 2.890 hectares de mata. Durante a operação, realizada de segunda a quarta-feira desta semana, foram fiscalizadas 282 propriedades previamente definidas a partir de imagens de satélite. Foram apreendidos 5.089 metros cúbicos de madeira e emitidas multas no valor total de R$ 12.942.667.

O Ministério Público do Paraná já havia realizado a Operação Mata Atlântica em Pé em âmbito estadual. A operação nacional amplia a fiscalização para um nível sem precedentes: “A efetividade da fiscalização é fundamental para coibir mais desmatamentos”, defende o promotor de Justiça Alexandre Gaio, coordenador nacional da operação. O principal objetivo é buscar a recuperação ambiental das áreas degradadas, que podem levar décadas para se refazerem.

O bioma da Mata Atlântica está presente em 17 estados brasileiros e cobre (em sua extensão original) cerca de 13% do território nacional, onde vivem aproximadamente 140 milhões de pessoas, que dependem das múltiplas funções ambientais da Mata Atlântica. Restam apenas cerca de 10% da mata original. Apesar disso, continuam ocorrendo desmatamentos em toda a sua extensão.

No Paraná foram fiscalizados 51 polígonos nos municípios de Guarapuava, Prudentópolis, Inácio Martins e Pinhão. A operação constatou o desmatamento de 618 hectares. Foram emitidos 22 autuações, no valor total de R$ 2,193 milhões, com a prisão em flagrante de duas pessoas por crime ambiental e apreensão de 1.500 metros cúbicos de madeira.

Paraná tem 30% de vegetação nativa

Um estudo técnico científico realizado pelo Simepar, em parceria com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), mostra que o Paraná tem 30,3% do seu território do com remanescentes de vegetação nativa. O estudo, concluído em junho, utilizou imagens do satélite Landsat / OLI (2016) servindo como base de apoio para o IAP durante as análises do CAR (Cadastro Ambiental Rural) do Estado.

Essas imagens possuem resolução espacial de 30 metros, permitindo que os técnicos tenham precisão na avaliação do uso do solo. Elas foram estudadas de acordo com a metodologia de Imagens Orientada a Objeto (Obia), a partir de um mosaico de imagens de todo o Paraná.

De acordo com o levantamento, o Paraná possui 5.808.878,19 de hectares (30,13% de sua área total) de vegetação nativa, somando floresta nativa e mangue. As outras áreas mapeadas mostram que 12.824.442,09 (66,51%) hectares são de área antrópica (pastagem, agricultura e reflorestamento), 378.684,99 hectares (1,96%) de lâmina d’água e 270.339,30 hectares (1,40%) de área urbana.

Com base nessas informações o governo do Estado poderá desenvolver políticas públicas para a proteção ambiental com mais critérios. “Há muito tempo o Estado não tinha um estudo próprio que considerasse o real remanescente de vegetação nativa. Com base nas informações que os proprietários rurais estão nos passando e o banco de dados que criamos, podemos monitorar os nossos remanescentes com mais atenção e critério”, explica o presidente do IAP, Paulino Mexia.

Até 31 de julho deste ano, o Paraná já tinha cadastrados 412.717 imóveis rurais e 16.812.426,47 hectares no CAR. O Estado é o que mais realizou análises técnicas “manuais” (sem filtros automáticos de sistemas) dos cadastros. Até o fim de agosto, foram 5.874 análises, sendo que dessas 1.062 já tiveram suas notificações atendidas pelos proprietários rurais.