Cotidiano

“O Brasil precisa se reinventar”

Cascavel - “Nós chegamos a um limite de tudo no País. Precisamos aceitar que estamos em crise, e não só crise política e econômica, mas uma crise social e de consciência. Não adianta combater os corruptos e a falta de ética, que são consequências do modelo que estamos seguindo. Tentar resolver esses problemas sem olhar a origem é enxugar gelo, não termina nunca”, afirma o arquiteto e diretor-presidente da Agepar (Agência Reguladora do Paraná) Omar Akel.

Para ele, é preciso pensar a longo prazo, voltar a investir na consciência de cidadania. “Precisamos ensinar nossas crianças a serem cidadãos conscientes. Amar e respeitar o País e o próximo. Só assim no futuro teremos uma geração diferente e com outra perspectiva”.

A curto prazo para o País reagir e tentar sair da crise, Omar, que já ocupou diversos cargos públicos, defende reformas imediatas. “Qualquer governo que assuma precisa fazer duas reformas imediatas e urgentes: tributária e política. O sistema de cobrança e investimentos de tributos no País não funciona, só explora o contribuinte e deixa a arrecadação sumir pelos ralos espalhados em diversos setores. E na política é preciso reduzir o número de partidos. Nenhum governo pode trabalhar com mais de 40 partidos políticos pressionando, é impossível” afirma Akel.

Reflexos da mudança

Omar Akel defende o planejamento seguido da ação, válido para o País e para as cidades contemporâneas que são sua especialidade. “O que deve ser feito no País é muito semelhante com o que temos que fazer para as cidades funcionarem: envolver o cidadão, cuidar do meio ambiente e dar acesso à população”, enfatiza Omar.

O brasileiro deve vestir a camisa e agir: “Hoje, mais do que nunca, o cidadão precisa participar do processo de construção seja da cidade ou do Brasil, pegar para si a responsabilidade de planejar e construir o lugar onde quer estar no futuro”, frisa o arquiteto.

“Chegamos ao limite da exploração do meio ambiente. É preciso pensar de forma inteligente para não enfrentar problemas mais graves e insolúveis do que já enfrentamos. Cuidar da nossa qualidade de vida, isso também se aplica ao País. E por fim dar acesso ao cidadão a serviços que são do direito de todos. Para solucionar os maiores problemas das cidades é criar soluções para reduzir o deslocamento da população. E um caminho para que isso aconteça é descentralizar os serviços. Precisamos dividir os grandes centros em uma série de pequenos centros. Assim como o poder deve ser descentralizado de Brasília, o cidadão comum dos bairros precisa ter o poder de mudar e as consequências vão refletir num país melhor para todos”, completa Akel.