Cotidiano

Importações voltam a crescer e exportações batem recorde

Palotina - Pela primeira vez desde janeiro de 2017, as importações voltaram a crescer na região oeste do Paraná. Dados da Balança Comercial referente ao mês de janeiro revelam que as compras feitas pelas principais economias da região de outros países cresceram 14% se comparadas a janeiro de 2018. Saíram de pouco menos de US$ 50 milhões para quase US$ 69 milhões puxadas por insumos voltados ao agronegócio e a indústria. “Precisamos analisar esse comportamento por mais tempo, pelos próximos meses, mas pode ser um sinal, mesmo que sazonal, da retomada da confiança e do crescimento da economia. As pessoas estão se sentindo mais confiantes para investir e esse pode ser um reflexo dessa confiança”, comentou o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Norberto Ortigara.

Em percentuais, o segmento que mais cresceu foi o de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão e suas partes e acessórios. A elevação foi de quase 2.000% em uma ou mais aquisições feitas pelo Município de Cascavel. Em janeiro de 2018 a importação desses equipamentos havia somado menos de US$ 179 mil, em 2019 foram mais de US$ 3,5 milhões. “Cascavel é um importante polo de comunicação e está despontando no cenário da tecnologia da informação, é referência no tratamento médico com uso de imagem. Esses são investimentos peculiares de empresas voltadas para uma ou várias dessas áreas que se sentem mais confiantes em expandir com alguns sinais que podem indicar uma estabilidade e avanço da econômica”, explica o economista Marcelo Dias.

Em valores, a liderança nas compras está relacionada a produtos das indústrias químicas ou setores conexos como insumos para a produção de ração ou de medicamentos, com quase US$ 6,3 milhões importados em janeiro, contra US$ 2,9 milhões no ano passado.

Retomada

Para o presidente do Sindicato das Cooperativas Agrícolas, Agropecuárias e Agroindustriais da Região Oeste do Paraná, Dilvo Grolli, isso pode confirmar a retomada da economia: “Pode ser algo momentâneo, mas pode ser algo contínuo. Os aspectos econômicos revelam mais confiança e temos tudo para crescer neste ano, mas precisamos avaliar o desempenho das importações nos próximos meses”.

Exportações

Ao avaliar as transações de cada município do oeste, é possível detectar que em três dos cinco principais exportadores houve queda nas vendas ao exterior, mas no acumulado houve aumento. Isso porque em Palotina e em Cascavel as transações foram bem maiores do que em janeiro de 2018. Assim, ao passo que as importações cresceram pela primeira vez desde 2017, as exportações regionais mantiveram elevação constante com melhor registro histórico para um primeiro mês do ano em toda a série histórica.

Considerando as sete principais economias da região - Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu, Palotina, Cafelândia, Marechal Cândido Rondon e Medianeira - que, juntas, representam mais de 95% das vendas internacionais na balança comercial o crescimento nas vendas externas em janeiro foi de 15% se comparado ao primeiro mês do ano passado.

Estimuladas pela venda da carne de frango, as exportações regionais somaram US$ 110,7 milhões em negócios em janeiro contra US$ 96,5 milhões ano passado. As exportações de aves cresceram 15%, com quase US$ 72,3 milhões em negócios fechados, contra US$ 63 milhões registrados em janeiro de 2018.

Saldo da balança continua em alta

Apesar das importações em alta, as exportações mantiveram a tendência de crescimento e garantiram novo recorde do saldo da balança para um mês de janeiro. O saldo da balança comercial da região somou mais de US$ 41,7 milhões contra US$ 36,8 milhões no ano passado, crescimento de 14%. “O forte das nossas exportações se acentua a partir de março, abril. A partir disso começa a crescer ainda mais e temos tudo para fechar o ano com um superávit da balança regional que pode superar US$ 1,5 bilhão”, observa Marcelo Dias.

Mas para que isso ocorra, o secretário de Agricultura, Norberto Ortigara, considera que alguns aspectos precisam ser levados em consideração: “Muito mais nocivo do que os problemas sanitários que fecham mercados pode ser a língua, ou seja, falar que vai mudar uma embaixada de um lugar, por exemplo, pode interferir no mercado árabe que compra a maior parte da carne de frango que produzimos, Então, é preciso agir com cautela para conquistar e não fechar mercados. Se for o caso, que se abra mais uma embaixada então, mas precisamos ampliar, e não fechar”, ressalta.

A reflexão tem a ver com as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, o que desagradou toda a Liga Árabe. Hoje, em torno de 40% da carne de frango exportada do Brasil segue para os países árabes.