Agronegócio

Febre aftosa na Colômbia: o alerta está mantido

Caso recente na Colômbia coloca o Brasil inteiro em alerta, mais uma vez (Foto: Aílton Santos)

A reunião da Cosalfa (Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa) que está sendo realizada nesta semana na Bolívia tem servido para conhecer o trabalho feito na Colômbia após o registro de focos de febre aftosa ocorridos em julho do ano passado e neste mês. O diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e presidente da Cosalfa, Guilherme Marques, participa da reunião, pois o Brasil acompanha com atenção a situação colombiana, devido à fronteira na Região Norte do Brasil, que em 2019 deverá começar a retirada da vacinação contra a aftosa.

O Mapa determinou às Superintendências Federais de Agricultura do Amazonas e de Roraima que reforcem a fiscalização e a vigilância na região de fronteira internacional, depois da recente confirmação de foco de aftosa em 15 animais, já sacrificados, em território colombiano. O alerta foi feito apesar de o registro ter acontecido a 600 quilômetros da fronteira numa região densa de floresta.

Nessa reunião da Cosalfa, o que se pede é que a Venezuela, cuja situação sanitária é desconhecida, mostre se está avançando no combate à doença. “A expectativa é muito grande em relação à Venezuela, considerando a característica do País e também as outras informações sobre as condições sanitárias e epidemiológicas referentes à febre aftosa”, explicou Marques.

Ainda não há informações se os casos recentes da doença na Colômbia vão interferir diretamente na decretação do Brasil em área livre da doença. O Paraná, por exemplo, já possui esse status, mas com vacinação. A expectativa é de que haja nos próximos dias um anúncio de área livre sem a imunização.


Banco de vacinas

A proposta de criação do banco de vacinas contra a aftosa, o Banvaco, feita pelo Brasil na reunião da Cosalfa, em abril de 2017, também está sendo discutida. “O Brasil assumirá a liderança na criação do banco para ter a garantia de suprimento do produto, se necessário, mesmo adotando um plano de retirada gradual da vacinação. É preciso um estoque para utilização em situações estratégicas e em eventuais surtos, contra enfermidades que possam acontecer em qualquer parte das Américas”, afirmou o diretor.

No Banvaco está prevista a disponibilização de todas as cepas (linhagens) de vírus que já se propagaram no território brasileiro, bem como as exóticas para eventuais riscos da introdução delas no continente Sul-Americano. “Devemos estar preparados para quaisquer emergências sanitárias”, alerta o diretor.

A criação do banco, segundo ele, está despertando também o interesse do Canadá e dos Estados Unidos, para estarem preparados e terem à sua disposição produto em quantidade e qualidade suficiente para atender qualquer reintrodução da doença em seus territórios.

Marques explica que muito mais importante do que ter milhões de doses de vacinas estocadas, que podem perder a validade, é fundamental dispor do antígeno (substância que provoca a resposta imunológica do organismo) e a experiência para a produção dessas vacinas. Também são necessárias indústrias com capacidade de produção da vacina em poucas horas para atender emergências.