Cotidiano

Consórcio revê orçamento da Usina do Baixo Iguaçu

Segundo o Consórcio, usina deve entrar em operação no segundo semestre de 2018 (Foto: Vandré Dubiela )

Empreendedor adiantou que não há como divulgar o volume investido até agora

Capitão Leônidas Marques - Com atraso de dois anos no cronograma, as obras da Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, entre Capanema e Capitão Leônidas Marques, devem ficar mais caras do que o previsto inicialmente. Conforme o Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu, o orçamento de R$ 1,6 bilhão, feito ainda em 2012, antes mesmo do início da obra, está sendo revisto.

“Depois deste período de obra, em função de uma série de quesitos, não temos como divulgar o volume investido até o momento. Aliás, estamos refazendo as contas”, afirma o presidente do Consórcio, José de Anchieta dos Santos. Além disso, por decisão da diretoria, somente depois de revisar planilhas é que o custo real da construção da hidrelétrica será divulgado.

O empreendimento, iniciado em agosto de 2013, foi embargado pelo Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre (RS), em junho de 2014, por conta de uma série de problemas relacionados a licenças ambientais, retomando somente um ano depois. Em outros dois momentos, as famílias que terão suas terras alagadas para a construção da barragem, impediram a entrada dos funcionários no canteiro de obras da UHE enquanto protestavam pelo pagamento das indenizações.

Outra preocupação está relacionada aos riscos de uma nova paralisação da obra. Isso tudo em decorrência da falta de recursos do governo federal que pode parar empreendimentos importantes à região, como a duplicação da BR-163, entre Capitão e Cascavel e Toledo e Marechal Cândido Rondon. Segundo o presidente do Consórcio, até este momento não há sinalização de atraso nas obras, visto que os investimentos são oriundos de recursos próprios.

NOVAS DATAS

Enquanto as contas são refeitas, novos prazos são estipulados para a conclusão da obra. No site do Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu, o início das operações da usina está previsto para o segundo semestre de 2018. Contudo, informações extraoficiais apontam os alagamentos apenas em fevereiro de 2019, e até março de 2019 as operações comerciais.

Por sua vez, a diretoria da empresa informou que vai tentar cumprir o prazo estabelecido em contrato – segundo semestre de 2018 -, já que seu descumprimento pode acarretar multa.

59% da obra concluída

Até o momento, 59% da obra já foi concluída. A fase agora é de construção das linhas de transmissão. Para isso são necessários 2,2 mil trabalhadores, que atuam de forma direta. Assim que estiver pronta, a usina vai gerar 350 megawatts de energia, o suficiente para atender uma cidade com um milhão de habitantes.

Acordos fechados com agricultores

As negociações com as famílias de agricultores que possuem terras às margens da hidrelétrica ainda continuam. Os acordos, que iniciaram em 2014, foram suspensos assim que a obra foi embargada, retornando somente na metade de 2015. A previsão do Consórcio Empreendedor é de concluí-las até o fim deste ano.

Até agora, 75% dos acordos foram fechados. As propostas apresentadas pelo consórcio se baseiam em um caderno de preços elaborado pelo empreendedor. Entre as indicações, está a possibilidade de reassentamento rural, o que segundo o agricultor Sidinei Martini, é o único ponto que ainda não avançou. “As indenizações estão acontecendo em maior velocidade, só falta agora o reassentamento”, diz.

Algumas famílias não concordaram com a proposta do Consórcio, e segundo a empresa, nestes casos a discussão ocorre junto com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Defensoria Pública, Ministério Público e movimentos sociais.