Cotidiano

Colégio Militar não tem sede definida

(Foto: Aílton Santos)

A expectativa quanto à abertura do período de matrículas para o novo Colégio Militar de Cascavel foi frustrada. E não é por falta de procura. É por falta de local.

Conforme a assessoria do governo do Estado, o colégio não vai funcionar no CNTA (Centro Nacional de Treinamento em Atletismo) como havia sido anunciado anteriormente.

O problema é que, conforme o Estado, o local foi reprovado após avaliações técnicas constatarem a necessidade de obras estruturais e de adequações para que pudesse abrigar a unidade escolar. E isso não tem data para acontecer.

O Estado reitera que a instalação da unidade no Município está garantida, conforme definida no decreto assinado pela governadora Cida Borghetti (PP) há um mês. Agora, o governo analisa outras três opções de locais para sediar o colégio no Município, provavelmente em uma instituição de ensino regular, a exemplo do que foi feito em Maringá e Foz do Iguaçu.

Informações desencontradas

O decreto estadual assinado pela governadora Cida Borghetti é de 7 de outubro. Passado um mês, ninguém sabia como e quando o colégio iria funcionar, tampouco tinha informações sobre as matrículas e o processo seletivo.

Como a proposta pedagógica do colégio da Polícia Militar será a mesma da rede estadual de ensino, elaborada pela Secretaria da Educação, a reportagem do Jornal O Paraná entrou em contato com o NRE (Núcleo Regional de Educação) de Cascavel, questionando sobre a abertura teste seletivo e as matrículas, o que já vem acontecendo em outras cidades que tiveram o colégio criado pelo mesmo decreto.

O Núcleo até admitiu receber ligações diárias de pais interessados em vagas para os filhos, mas que não tinha informação alguma a respeito.

Na Polícia Militar do Paraná, após uma verdadeira via-sacra para obter alguma informação a respeito, a resposta foi de que nada havia de concreto para o funcionamento do Colégio no CNTA e que o início das aulas para 2019 não estava confirmado.

 

Cursos preparatórios

Mesmo sem previsão para o início das aulas regulares, muitos adolescentes já se preparam para o teste seletivo que garante a entrada na instituição.

Caso da Estephany Carolline Andrade Valimm, de 13 anos, que vai iniciar o curso preparatório nos próximos dias em uma escola particular. “É uma preparação para a prova que garante a entrada no Colégio. Ela tem muito interesse em ingressar, então já fizemos a matrícula e ela vai começar a frequentar [o cursinho]”, afirma a mãe Regiane de Andrade Azevedo.

O curso preparatório tem duração de 18 meses e oferece aulas práticas e teóricas. A turma em Cascavel teve início dia 29 de setembro e podem frequentar alunos a partir dos 13 anos.

Possibilidade

Com a expectativa da instalação do Colégio Militar no CNTA, o deputado estadual Ratinho Júnior (PSD) (governador eleito do Estado) havia garantido uma emenda parlamentar de R$ 8 milhões no orçamento deste ano para a construção de um novo bloco no local que abrigaria as salas de aula.

Em uma visita a Cascavel enquanto candidato ao governo, Ratinho garantiu o Colégio Militar ao Município. Contudo, ontem sua assessoria disse que a promessa está mantida, mas que depende de ele assumir efetivamente o cargo para tomar qualquer outra decisão.

 

Elefante branco?

A novela que se desenha a construção do CNTA (Centro Nacional de Treinamento em Atletismo) ganha mais um capítulo: a obra será mais uma vez paralisada. Um pedido de suspensão dos trabalhos já foi protocolado na Paraná Edificações pela construtora N Dalmina, responsável pela obra. É que ela cobra o Estado pela falta de repasse para custear gastos que teve com manutenção de serviços essenciais e profissionais responsáveis durante o tempo que não pôde trabalhar justamente por falta de dinheiro.

Conforme o engenheiro Paulo de Tarso Rodrigues, o valor acumulado dos três anos de atraso e prorrogação de contrato chega aos R$ 3 milhões.

De acordo com a empresa, a Paraná Edificações vai analisar o pedido e enviar um parecer nos próximos dias. A reportagem fez contato com a Paraná Edificações, porém não recebeu retorno.

Ainda de acordo com a N Dalmina, 90% da obra está concluído.

A última demanda recebida foi a alteração no projeto de instalação de iluminação externa no local, que deve ser analisada pela construtora. Isso porque o projeto foi mal feito e precisou ser refeito.

A empresa já recebeu pela obra - levando em conta os aditivos - R$ 16,3 milhões, mesmo estimado no início dos trabalhos. Contudo, ela deveria ter sido entregue pelo menos dois anos atrás.

Para que a obra seja finalizada são necessários ainda cerca de R$ 3 milhões. Ou seja, somados os débitos do Estado com a empresa e o valor estimado, faltam R$ 6 milhões para que o CNTA seja finalizado. Ou pelo menos a estrutura inicial.

Isso porque, para ser sede do Colégio Militar, o centro precisaria de um bloco de salas de aula, o qual chegou a ter emenda no orçamento do Estado aprovada, mas não executada. Sem essa finalidade, resta ao Ministério dos Esportes assumir então o espaço e dar uma utilidade para ele.

 

Criado colégio em Foz

Na última segunda-feira, a governadora Cida Borghetti formalizou o lançamento dos editais de seleção de 270 novos alunos para os Colégios Militares de Maringá (noroeste) e Cornélio Procópio (norte), que começarão as atividades letivas em 2019. Cascavel ficou fora justamente devido a toda a essa indefinição.

E, ontem, a governadora assinou decreto que cria um colégio da Polícia Militar em Foz do Iguaçu. A nova escola segue o planejamento estratégico de interiorização do ensino dos colégios militares, que já conta com um em Londrina, e para o próximo ano haverá unidades em Maringá e Cornélio Procópio. Detalhe: Cascavel já ficou de fora da previsão.

“Uma ação importante que promove educação de qualidade e possibilita às nossas crianças sonhar e desenhar um futuro melhor. Espero em um curto espaço de tempo assinar outros atos como esse para atender tantas outras cidades que estão pedindo e se habilitando para receber uma escola da Polícia Militar”, afirmou a governadora, que ainda destacou os avanços significativos dos colégios em atuação.

A nova proposta pedagógica será implantada no Colégio Bartolomeu Mitre, o mais antigo de Foz do Iguaçu (1927). A direção da escola será feita pela Polícia Militar e a gestão pedagógica administrada pela Secretaria de Estado da Educação. Os estudantes já matriculados passarão a ter o sistema de ensino da PM e podem optar por continuar ou não na unidade.