Cotidiano

CNI diz que PIB deve encerrar o ano a 0,7%

Rio de Janeiro - Com a recessão tecnicamente superada, após dois trimestres seguidos de crescimento, a economia brasileira apresenta sinais mais consistentes de recuperação, disse ontem, em Brasília, a CNI (Confederação Nacional da Indústria), no Informe Conjuntural, divulgado na internet.

Assim, impulsionado pela alta no consumo e pela forte queda na inflação, a expectativa da CNI é que PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, encerrará 2017 com crescimento de 0,7%. A previsão anterior, divulgada em junho, era de crescimento de 0,3%.

A indústria crescerá 0,8%, o primeiro resultado positivo desde 2013. A estimativa anterior era 0,5% de expansão para este ano.

“As estimativas foram revisadas para cima, diante do conjunto mais robusto de dados positivos na economia e de avanços na agenda de reformas - como a atualização das leis do trabalho e o anúncio de nova rodada de privatizações e concessões”, disse a CNI, em nota.

Além disso, a forte queda na taxa de inflação amplia a renda disponível e ajuda a recuperar o consumo, efeito já sentido no comércio, afirmou a CNI. “Na indústria, a gradual recuperação do consumo das famílias criará condições para o aumento da produção de forma mais disseminada”, explicou o relatório.

No entanto, a expansão da atividade econômica ainda não será sentida por toda indústria. A alta de 0,8% no PIB industrial será liderada pelo crescimento de 7,2% na indústria extrativa e de 1,4% na indústria de transformação. A indústria de construção, por sua vez, deve cair 2,3% em 2017.

Demora

A CNI avalia ainda que, apesar de a crise ter ficado para trás, ainda permanecem dúvidas quanto a intensidade e a duração da retomada do crescimento. Para a confederação, a principal fonte de incertezas permanece com a questão fiscal e a agenda de reequilíbrio das contas públicas.

“O processo de ajuste fiscal caminha em ritmo lento. A revisão recente das metas fiscais para este ano e o próximo é um sinal de alerta”, aponta o Informe Conjuntural. “A reforma da Previdência, principal item da agenda fiscal, é essencial e urgente”, acrescenta.

Inflação e juros

Para a CNI, o IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo) deve fechar 2017 em 3,1%. Assim, o indicador chegará ao fim do ano 1,4 ponto abaixo do centro da meta de 4,5% estabelecida para este ano. O processo de desinflação tem ocorrido, sobretudo, pelo comportamento dos preços de alimentos, que subiram abaixo do usual por conta da safra recorde, explicou a CNI.

A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, ao fim de 2017, é 7% ao ano. Atualmente, a taxa está em 8,25% ao ano.

Balança comercial

O saldo comercial ficará em US$ 64 bilhões em 2017, resultado do crescimento de 16,1% nas exportações (US$ 215 bilhões) e de 9,8% nas importações (US$ 151 bilhões). A taxa de câmbio deve ficar encerrar o ano em torno de R$ 3,20.

Contas públicas e emprego

O déficit primário do governo federal e suas estatais será de R$ 159 bilhões, equivalente a 2,4% do PIB, e dentro do novo limite de R$ 162 bilhões fixado para 2017 (R$ 159 bilhões para o governo federal e R$ 3 bilhões para as estatais federais), revisto em agosto pelo governo federal.

A projeção da CNI para a taxa de desemprego no fim de 2017 foi revisada de 13,5% para 12,9%.

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Crescimento global sobe

O FMI (Fundo Monetário Internacional) melhorou ontem as previsões de crescimento para a economia global a 3,6% para este ano e a 3,7% para 2018, em ambos os casos um acréscimo de 0,1 ponto, graças ao aumento da atividade na Europa e no Japão, o bom ritmo dos Estados Unidos e a solidez da China. A informação é da agência EFE.

"A alta global na atividade econômica está se fortalecendo. Após anos de debilidade, as economias avançadas começam a dar bons sinais", destaca o relatório do fundo, intitulado Perspectivas Econômicas Mundiais, apresentado no começo da assembleia anual do FMI e do Banco Mundial esta semana, em Washington.

O organismo dirigido por Christine Lagarde aumentou as previsões de crescimento para a zona Euro para 2,1% este ano e 1,9% em 2018, 0,2 ponto acima do que foi calculado há três meses. A recuperação se deve a uma "aceleração das exportações, ao contínuo fortalecimento da demanda interna, o respaldo ao estímulo monetário e a redução de riscos e incerteza política", diz o FMI.

Para os Estados Unidos, principal economia mundial, espera-se agora um crescimento de 2,2% para este ano e de 2,3% para 2018, uma melhora de 0,1 e 0,2 ponto, respectivamente, frente aos cálculos de julho, impulsionado por condições financeiras muito favoráveis e "à forte confiança de consumidores e empresas".