Cotidiano

Brasil tem maior alta do comércio exterior no G-20

Paris - O comércio exterior brasileiro teve a maior taxa de crescimento entre todos os países do G-20 (grupo dos 20 países mais industrializados do mundo) no terceiro trimestre de 2018, puxado pela China e se aproveitando da crise entre Pequim e Washington. Dados divulgados ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revelam que a guerra comercial já atinge o fluxo de bens pelo mundo e as quedas passam a ser importantes.

Publicados às vésperas da reunião de cúpula do G-20, os dados confirmam o que a OMC (Organização Mundial do Comércio) já vinha alertando: o fluxo de exportações e importações está perdendo força. No terceiro trimestre do ano, o aumento do comércio mundial foi apenas marginal e, segundo a OCDE, só foi positivo diante da alta no preço do petróleo.

Nesse período, a expansão das exportações no G-20 foi de apenas 0,3%, contra aumento de 0,7% nas importações. No segundo trimestre, o resultado havia apontado para uma pequena contração.

"Excluindo os grandes exportadores de petróleo, como Rússia e Arábia Saudita, o comércio do G-20 estagnado sugere que a expansão contínua nos últimos dois anos foi interrompida diante do fato de que as medidas protecionistas começam a se fazer sentir", alertou a OCDE.

Nos EUA, as exportações sofreram uma contração de 1,7%. A Europa também registrou uma queda de 0,8% em suas vendas, acumulando já dois trimestres negativos. O mesmo ocorreu na Austrália, Japão, África do Sul, Turquia ou Índia.

Mesmo a China viu uma taxa de aumento nas exportações bem abaixo de sua média dos últimos dez anos. O aumento foi de 2,4% e só ficou positiva por conta da venda de uma plataforma de petróleo ao Brasil. No trimestre anterior, suas vendas tinham contraído em 4,9%.

No caso brasileiro, o crescimento de importações foi de 18% no terceiro trimestre, superando todos os demais países do G-20. As exportações também estiveram acima de todas as demais economias do grupo, com expansão de 5,5%. A taxa superou o aumento de 5,3% da Rússia, beneficiada pela alta do petróleo, ou da Coreia, com 4,7%.

No total, a exportação atingiu US$ 59,8 bilhões, o maior volume pelo menos desde 2016 para um só trimestre. Já as importações somaram US$ 49,5 bilhões, o que também foi o maior volume em dois anos para um trimestre.

A forte alta brasileira também se deu depois de um segundo trimestre de contração nas exportações e nas importações em valores. Mas a percepção é de que, com as retaliações entre chineses e americanos começando a ser aplicadas, a tendência para o exportador nacional foi revertida.

Salvo em países importadores de petróleo, o trimestre registrou uma forte queda nas compras de algumas das maiores economias do G-20. A queda foi de 14% na Turquia, 8% na Argentina, 10% na Arábia Saudita, 5,2% na Austrália e Rússia, além de uma contração de 1,4% no Canadá e quedas na Coreia e União Europeia.