Cotidiano

Brasil assume a 3ª posição, mas clima ameaça futuro

As exportações de produtos industrializados paranaenses caíram 11% em julho, cerca de US$ 1,7 bilhão, e registram leve queda (0,76%) no primeiro semestre do ano. Apesar da queda, o saldo da balança ficou positivo graças ao incremento no comércio de produtos da soja, carnes e madeira. (Foto: Gilson Abreu)

Genebra - O Brasil já é o terceiro maior exportador agrícola do mundo. Mas as mudanças climáticas podem representar um desafio real para a expansão produtora do País e gerar uma contração das vendas externas até 2050.

Os dados são da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), que, nessa segunda-feira, 17, apresentou seu informe anual sobre a produção de commodities. No levantamento, o Brasil terminou o ano de 2016 com uma fatia de 5,7% do mercado global, abaixo apenas dos Estados Unidos, com 11%, e Europa, com 41%.

No início do século, o Brasil era superado por Canadá e Austrália, somando apenas 3,2% das exportações mundiais e disputando posição com a China, com 3%.

De acordo com a FAO, o valor adicionado da agricultura por trabalhador também dobrou entre 2000 e 2015. No início do século, ele era de US$ 4,5 mil, chegando a US$ 11,1 mil em 2015.

A expansão não se limitou ao Brasil. De acordo com a entidade liderada pelo brasileiro José Graziano da Silva, os países emergentes já representavam 20,1% do mercado agrícola global em 2015, contra apenas 9,4% em 2000. Além de Brasil e China, Indonésia e Índia foram os principais motores dessa expansão. Dos dez primeiros exportadores hoje, quatro são economias em desenvolvimento.

Enquanto isso, o percentual do mercado dominado por EUA, União Europeia, Austrália e Canadá foi reduzido em dez pontos porcentuais.

Importador

Se o Brasil ganhou espaço entre os exportadores, ele desapareceu da lista dos 20 maiores importadores de alimentos. Em 2000, o Brasil era o 13º maior importador, com 0,9% do mercado mundial. Em 2016, a lista dos 20 primeiros colocados já não traz o mercado brasileiro.

O mercado mundial, enquanto isso, triplicou. O comércio agrícola, que movimentava US$ 570 bilhões em 2000, passou a registrar um fluxo de US$ 1,6 trilhão em 2016. A expansão econômica da China e a demanda por biocombustíveis foram os principais fatores desse crescimento.

Futuro incerto

Mas se a expansão foi clara nos primeiros anos do século, os cenários até 2050 para o Brasil vão depender do impacto das mudanças climáticas no planeta. De acordo com a FAO, o mundo terá de dobrar sua produção agrícola nos próximos 30 anos. Mas o impacto das mudanças climáticas pode representar desafios reais para a produção brasileira, que poderia inclusive sofrer uma queda: “Mudanças climáticas vão afetar a agricultura global de forma desigual, melhorando as condições de produção em alguns locais. Mas afetando outros e criando ‘vencedores’ e ‘perdedores’”, indica o informe da FAO.

Os países em baixas latitudes seriam aqueles que mais sofreriam. Já regiões com climas temperados poderiam ver uma maior produção agrícola, diante da elevação de temperatura.

No caso do Brasil, a previsão é de que, se nada for feito no mercado global, suas exportações seriam afetadas negativamente e haveria até uma leve queda no volume vendido. O mesmo ocorreria com o restante da América do Sul e países africanos. Já Europa, EUA e Canadá registrariam fortes desempenhos.

As exportações brasileiras para África e Índia aumentariam. Mas haveria também incremento de importações vindas da América do Norte e da Europa. Já as vendas brasileiras para a Europa e a China - seus dois principais mercados - poderiam ser reduzidas em mais de US$ 1 bilhão cada.

Indústria do Paraná reduz exportações em 2018

Um estudo mensal desenvolvido pelo Sistema Fiep revela que as exportações de produtos industrializados paranaenses caíram 11% em julho, cerca de US$ 1,7 bilhão, e registram leve queda (0,76%) no acumulado do ano, de janeiro a julho. Em relação a julho de 2017, houve um aumento de 1,6% no valor exportado, e de 16%, no período de janeiro a julho do ano passado. “O curioso é que mesmo com o valor da taxa de câmbio propícia para aumentar as vendas para o exterior, houve redução na quantidade de itens (volume de produtos) exportados no mês. Queda de 18,2% em julho, e também, de 0,25% contra o mesmo mês do ano anterior”, avalia o economista da Fiep, Evânio Felippe.

Os principais produtos vendidos no mês foram derivados de Soja, Carnes e material de Transportes, que somaram US$ 1,2 bilhão. No acumulado do ano, dos 15 grupos de produtos pesquisados, oito apresentaram taxa positiva de crescimento. Os destaques foram as vendas de Petróleo (313,61%), Bebidas (85,73%), Soja (31,72%) e Madeira (14,30%).

Já as importações de julho somaram US$ 929,6 milhões, queda de 16,48% em relação a junho. Os principais itens comprados no mês foram produtos químicos, material de transportes e mecânica, que somaram US$ 580,7 milhões.

Avaliando os resultados de exportações e importações, a balança comercial paranaense encerrou o mês de julho com saldo positivo de US$ 753,4 milhões. Os destaques foram as vendas de produtos da Soja (US$ 785,2 milhões), Carnes (US$ 291,2 milhões) e Madeira (US$ 73,2 milhões).