Cotidiano

Biopark: os desafios de um projeto transformador

Em 30 anos e R$ 12 bilhões em investimentos, Biopark projeta ter 20 mil moradias, três universidades, hospital e 60 mil moradores (Foto: Reprodução )

Toledo - Toledo e região oeste do Paraná dão passos determinantes para virar referências na formação de pesquisadores nos cobiçados ramos das biociências. O projeto de longo prazo arquitetado pelo empreendedor Luiz Donaduzzi vai consumir R$ 12 bilhões, em prazo estimado de 30 anos, e exigir doses cavalares de determinação e paciência. A burocracia e as amarras governamentais estão entre os mais sérios e desanimadores desafios de quem, com talento, trabalho e perseverança, quebra paradigmas e imprime mudanças transformadoras ao seu ambiente.

A área que começa a receber as primeiras estruturas físicas do Biopark, na rodovia que leva de Toledo a Palotina, vai contar a longo prazo com 20 mil residências, estruturas de convivência, três universidades, cem laboratórios, hospital e 60 mil moradores. Embora cuidadosamente elaborada, a implantação do parque tecnológico é revestida de medidas protetoras extras. Uma delas, segundo Donaduzzi, é perceber que no Brasil, em pelo menos 95% dos casos, empresas que antes de chegar ao mercado passaram por incubadoras fracassaram. “É que por aqui tudo conspira contra. Por isso é tão difícil empreender diante dos desafios que nos são impostos”.

Para fugir das estatísticas, o Biopark vai contar com um plano diferenciado de suporte e de contingências às empresas que incubar. Elas contarão com uma espécie de proteção adicional para que, no futuro e já andando com as próprias pernas, possam sobreviver e crescer. Os pilares, além de disponibilização de recursos com condições diferenciadas, estão alicerçados no acesso a conhecimentos fundamentais sobre mercado, marketing e outras disciplinas que envolvem relacionamentos para enfrentar, entender e competir em um mercado tão conturbado, mas que é também de oportunidades. Uma das propostas do Biopark, de acordo com Luiz Donaduzzi, é constituir um fundo para alavancar empresas com potencial de crescimento de até 30% ao ano.

Colapso

Donaduzzi faz um alerta preocupante: o modelo de ensino brasileiro está em colapso, ainda refém de conteúdos enormes, ultrapassados e que em nada contribuem para os desafios impostos às carreiras modernas e ditas do futuro. O acesso à informação jamais foi tão fácil devido às diversas tecnologias criadas nas últimas décadas. Isso precisa ser considerado e as antigas fórmulas não se aplicam mais ao processo de formação de uma nova sociedade, voltada às ciências avançadas, à inovação e à tecnologia.

O método disseminado no Biopark será o do ensino baseado em projetos, em um ambiente no qual o professor se transforma em orientador. Voltado à reflexão e à busca criativa dos mais diversos tipos de problema, o objetivo é dispender energia em buscas que realmente valham a pena, sempre potencializando resultados. “Nossa meta é ter no parque pelo menos 500 CNPJs ligados às áreas da tecnologia da informação e biociências, mas prioritariamente empresas ambientalmente sustentáveis. Com base em experiências internacionais bem-sucedidas, o projeto contará ainda com o método da validação de produtos, outro passo determinante para o sucesso de qualquer empreendimento”.