Política

Alvaro Dias: “Mudei de sigla para não mudar de lado”

São Paulo - O senador paranaense Alvaro Dias (Podemos) abriu ontem a série de sabatinas que a Folha, a UOL e o SBT vão promover com os presidenciáveis. Em conversa hoje com os partidos de centro que tentam disputar a Presidência da República, Alvaro descartou qualquer aliança com o PSDB ou possibilidade de se tornar vice na chapa do ex-governador paulista Geraldo Alckmin. “O PSDB é sustentado pelo sistema que eu estou contestando”.

Ele, que entre outros partidos já passou pelo PSDB, diz que governaria em um modelo suprapartidário e afirma que deixou a legenda por insatisfações com a forma de governança adotada pelos tucanos, com distribuição de cargos entre aliados. “É contraditório, mas eu nunca mudei de partido, porque não temos partidos no Brasil”, disse Dias, que também já passou por PV, MDB, PDT e PP. "Mudei de sigla para não mudar de lado", afirmou. Segundo ele, as trocas foram feitas para não "mudar minhas convicções pessoais".

Segundo o presidenciável, sua proposta é de “ruptura e do desmonte desse balcão de negócios que se formou em Brasília”. “Eu denomino isso de refundação da República. Qualquer aliança que comprometa essa proposta está descartada.”

Dias é favorável a bandeiras como a continuidade da Lava Jato e o fim do foro privilegiado, mas também maior armamento da população e maior rigor na segurança pública, com “providências mais rigorosas sem o risco de punições eventuais” à polícia.

Questionado se suas ideias não estariam próximas à do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), ele evitou comparar. Também não avaliou a pré-candidatura do adversário. “Se eu tivesse que elogiar seria cabo eleitoral do concorrente”, afirmou.

Alvaro Dias ainda defendeu que seja adotado um “imposto quase único” no País, com eventual retorno da extinta CPMF. Também afirmou ser a favor de uma reforma trabalhista, mas contra o modelo aprovado no Governo Temer. "Há que se eliminar conflitos e esta reforma estimulou conflitos”.

Após a sabatina, o pré-candidato falou a jornalistas sobre as conversas que o Podemos tem tido com PRB e DEM no sentido de formar uma chapa única de centro destacada da candidatura de Alckmin. "Há uma tentativa de convergência entre candidaturas que possam ter alguma similitude nas propostas", afirmou. "Gostaria que houvesse uma limitação dos candidatos. Nós temos muitos candidatos e isso compromete até o debate. Desqualifica um pouco até o debate, se nós pudéssemos reduzir, seria ideal", acrescentou.