Policial

Acusados de executar agente são ouvidos pela PF

Wellington Freitas da Rocha e Edy Carlos Casarin foram ouvidos ontem na PF (Foto: Aílton Santos )

Outros três mandados de prisão foram expedidos e devem ser cumpridos nas próximas horas

Cascavel - A Polícia Federal deve cumprir em Curitiba, nas próximas horas, mais três mandados de prisão relacionados à execução da psicóloga Melissa Almeida, do Depen (Departamento Penitenciário Federal). As pessoas teriam envolvimento direto no crime, ocorrido no dia 25 de maio deste ano em Cascavel.

Ontem, Wellington Freitas da Rocha, de 27 anos, e Edy Carlos Casarin, de 42, foram ouvidos na sede da Polícia Federal em Cascavel. Eles estavam detidos desde o crime na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel) e foram transferidos, por conta da periculosidade e por se tratar de um crime envolvendo um agente público federal, para o Presídio de Segurança Máxima de Catanduvas.

De acordo com o delegado-chefe da PF em Cascavel, Marco Smith, que conduz toda a investigação, o interrogatório dos dois acusados foi importante para esclarecer alguns detalhes do crime. “As investigações estão bem adiantadas. A polícia já descobriu como aconteceu o crime, quem foi até o local, quem participou ativamente da execução, quem deu fuga aos executores, dentre outros pontos, inclusive como foi a logística do crime”.

Segundo Smith, uma das partes importantes da investigação é a ligação da morte da servidora com uma ordem do PCC (Primeiro Comando da Capital) de matar agentes federais em todo o País. “Conseguimos apurar que a morte aconteceu por conta do cargo público que ela ocupava e que foi ordenada por uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Brasil”.

Conforme as investigações, os criminosos estavam monitorando Melissa várias semanas antes do atentado. Eles alugaram uma casa na Avenida Corbélia, no Bairro Morumbi e diariamente analisavam o passo a passo da psicóloga. Os executores sabiam, inclusive, que o marido de Melissa, o policial civil Rogério Ferrarezzi, estava em Curitiba, finalizando o curso de formação. Relatos dão conta de que o crime deveria ter acontecido dois dias antes, quando o policial não estava em Cascavel.

A polícia ainda investiga o que teria motivado a execução, o porquê de ela ter sido escolhida pelos bandidos e ainda o que fez com que Melissa tivesse mais dois dias de vida.

O caso

Como todos os dias, Melissa Almeida chegava em casa com o marido, o policial civil Rogério Ferrarezzi, e o filho de menos de um ano. A rotina foi quebrada no fim da tarde do dia 25 de maio, quando foram surpreendidos por bandidos armados com fuzis e pistolas nove milímetros. A servidora federal saiu do carro para abrir a porta da casa, quando foi alvejada por tiros de fuzil na cabeça. Ferrarezzi, que estava no carro, revidou e matou André Luiz Vicente Pinto. Outro bandido, que seguiu a família até chegar em casa, atirou oito vezes em Ferrarezzi. Gravemente ferido, ele foi encaminhado em estado grave ao Hospital Universitário de Cascavel. O policial resistiu e se recupera da tentativa de homicídio.

Do lado de fora da residência do casal, no Bairro Canadá, uma verdadeira força-tarefa foi montada pelas Polícias Civil, Militar e Federal e agentes do Depen para encontrar todos os envolvidos no crime.

Horas depois, na casa em que os suspeitos alugaram para monitorar Melissa, policiais militares do Serviço Reservado entraram em confronto com os criminosos e mataram um segundo envolvido, identificado como Anderson Rodrigues Faria, de 25 anos. Foi nessa casa que Wellington Freitas da Rocha e Edy Carlos Casarin foram presos.

Quatro dias após a morte de Melissa, policiais do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais) prenderam Elnatan Chagas de Carvalho, em Curitiba. Segundo a polícia, ele se escondeu em Três Barras do Paraná e depois foi até a capital, com a ajuda de um casal. O trio estava em um HB20 que teria sido usado no crime e o carro foi apreendido.