Polícia

Dez anos depois, dúvidas persistem

18/12/2011 às 00:00 - Atualizado em 01/09/2014 às 19:49

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Cascavel - Terça-feira. 18 de dezembro de 2001. 21h30. Vítima: Tiago de Amorim Novaes. Crime: homicídio. Arma usada: pistola nove milímetros. Situação do processo criminal: aberto, sem previsão para ser encerrado.

 

Na frente do condomínio onde morava, já dentro de um carro oficial da Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado estadual Tiago foi abordado e executado com vários tiros à queima roupa. Ele ainda tentou sacar a arma. Mas seu corpo tombou para o lado direito, já sem vida.

Surpresa? Para muitos nem tanto. Desde os tempos que era repórter policial Tiago sempre esteve envolvido em temas polêmicos, principalmente envolvendo a área que fazia cobertura. Mesmo eleito deputado, mantinha um programa de televisão e outro na rádio no qual dias antes vinha avisando que denunciaria um grande esquema envolvendo um roubo milionário. Não teve tempo de dar nomes.

Arquivo

Os disparos foram dados à queima roupa

Uma pessoa que assistiu à execução disse que o deputado foi abordado pelo matador e em seguida ouviu cinco disparos. Conforme o relato, antes de sair do local, o algoz ainda disparou mais duas vezes no para-brisas.

Criou-se ali uma divisão do tempo em Cascavel. Antes e depois da morte do ex-deputado, que já havia disputado eleição para prefeito.

E foi exatamente por conta desse comportamento que Tiago de Amorim Novaes era visto entre a linha do “bem e do mal”. Para muitos, ele era uma espécie de redentor e para outros, um inimigo em potencial.

O PROCESSO

Investigações, boatos e divergências

A notícia da morte do deputado estadual Tiago de Amorim Novaes se espalhou rapidamente e em pouco tempo o cruzamento das Ruas Vicente Machado com Mato Grosso, na área central, ficou repleto de curiosos, fãs, eleitores e provavelmente alguns desafetos que foram conferir a tragédia.

O trabalho de investigação envolveu um forte aparato, com ajuda externa, iniciado pela busca imediata ao motoqueiro.

Todo o efetivo do 6ª BPM foi às ruas no intuito de localizar e prender o autor dos disparos, mas, apesar de inúmeras abordagens, nenhum suspeito foi detido naquela noite.

Uma análise preliminar apontou que um dos disparos atingiu o coração de Tiago e, por isso, a morte foi inevitável.

Arquivo

Assim que a notícia da morte se espalhou, multidão foi até o
local conferir a tragédia

Dez anos depois, ainda ecoam questionamentos semelhantes aos ocorridos naquele dia.

O inquérito tramita na 1ª Vara Criminal de Cascavel, com 27 volumes. Foram denunciadas nove pessoas. Desses, Marcelo Alves da Rocha e Everson Jucke foram mortos.

Alcides Machado Meireles, apontado como o autor dos tiros, foi julgado e sentenciado a 18 anos de reclusão. Por enquanto é o único condenado.

Há ainda nomes como o do ex-policial civil João Adão Sampaio Schisller, que em dezembro de 2001 era chefe da Seção de Repressão a Furtos e Roubos da Polícia Civil de Cascavel. Ele foi apontado pelo MP (Ministério Público) como o possível mandante do crime. Sampaio foi preso, mas conseguiu um habeas corpus e desde então permanece foragido da Justiça, tendo em vista que um novo mandado de prisão preventiva foi decretado contra ele.

Na lista estão ainda os nomes de Carlos dos Santos Correia, Marcos Bernardes Pires, Arlindo Luiz de Lima, Joelço Antunes das Chagas e Humberto Soares de Oliveira Júnior. Desses, Arlindo, Carlos e Marcos nunca foram encontrados, além dos que já morreram.

Linha de investigação

A polícia trabalhou com a tese de que a execução de Tiago estaria de alguma forma relacionada ao assassinato do ex-presidiário Abelino de Jesus Oliveira, o Abelha, acusado de tráfico. A suposição é de que, ao descobrir a trama montada para matar Abelino, Tiago começara a apontar o policial Adão Sampaio como mandante do crime. E, por ter seu próprio estilo, suas acusações teriam lhe custado a vida.

Quatro anos após o homicídio, uma pistola calibre nove milímetros foi apreendida pela PIC (Promotoria de Investigação Criminal) em uma propriedade rural na região de Lindoeste, mas não foram divulgados os resultados da balística e as condições que os investigadores chegaram até ela.

Mortes ao longo do processo 

Alguns homicídios ocorridos após a execução do deputado estadual Tiago de Amorim Novaes apenas incrementaram o ar de conspiração sempre que envolveu o crime. Além de dois suspeitos mortos durante as investigações, outros dois assessores de Tiago também perderam a vida.

O caso mais misterioso é o de Daniel Alcântara, conhecido como Malinha. Ele desapareceu sem deixar pistas. A suspeita é de que tenha sido assassinado.

Malinha era proprietário de um imóvel no Loteamento Nova Iorque, em Cascavel. Desapareceu deixando a casa com um veículo importado de luxo na garagem. O sumiço motivou a instauração de um inquérito policial, mas nenhuma informação sobre o paradeiro dele foi conseguida pelos investigadores. Muito menos algum suspeito preso.

A hipótese de homicídio foi reforçada quando foi encontrado o corpo de Luiz Cláudio Alves Carvalho, 37, conhecido como Malão, que também trabalhava para o ex-deputado. Luiz Cláudio foi assassinado a tiros no quintal da residência onde morava no Bairro Coqueiral, em Cascavel. Malão fora surpreendido no momento em que iria abrir a porta da residência. O criminoso não foi identificado até hoje. 

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