Consolidação: Paraná gera 31% dos empregos na indústria

Setor ainda não comemora crescimento, mas acredita em recuperação lenta e gradativa
Colheita recorde foi a grande incentivadora das novas contratações no Paraná (Foto: Vandré Dubiela)

Reportagem: Juliet Manfrin

 

Se a crise ainda dá sinais evidentes que está presente na vida dos brasileiros, no Paraná o cenário pode ao que tudo indica começar a mudar numa reação lenta, porém gradativa. A vida industrial do Estado está se solidificando, mais uma vez. Prova disso são os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

No primeiro quadrimestre deste ano – janeiro a abril – somente a indústria da transformação gerou 10.125 novas oportunidades de trabalho. Pode parecer pouco, mas se levado em consideração que em todo o País foram 32.453 novas colocações com carteira assinada, pode-se dizer, portanto, que sozinho o Paraná respondeu por 31% das novas efetivações no setor.

Entre as experiências bem sucedidas está a de Helena Loyola. Desempregada há dois anos ela voltou ao mercado graças a uma oportunidade em um frigorífico na região Oeste do Paraná. “As contas estavam chegando e eu estava vivendo de bicos. Estava difícil pagar as contas assim”, comemora ao deixar a extensa lista com mais de 14 milhões de desempregados Brasil afora.

Indústria de alimentos lidera contratações

E é justamente o setor de produtos alimentares o grande propulsor da indústria no Paraná. Isso porque se considera sua influência para frente e para trás na economia.

Para o presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Edson Campagnolo, “para frente pela renda dos trabalhadores gerada no setor que provoca aumento do consumo e por toda a rede de distribuição varejista e atacadista de alimentos. Para trás, pois o setor agropecuário demanda máquinas agrícolas, adubos e fertilizantes, transportes para escoar a safra, entre outros aspectos ligados direta e indiretamente”.

Apesar de uma aparente mudança no cenário de crise, Campahnolo mantêm os pés no chão. “A produção física da indústria paranaense medida pelo IBGE aumentou 4,6% no primeiro trimestre de 2107 contra igual período de 2016. Por outro lado, as vendas industriais reais apresentaram queda de 8,22%, ou seja, o aumento da produção ainda não se refletiu em amento de vendas. Há esperança que nos próximos meses comece a haver a venda da produção”, estima.

O presidente da federação reconhece ainda que todos estes resultados revelam que ainda não há sinais claros de recuperação sustentável, porém, os sinais sazonais voltaram a aparecer, como o aumento significativo das vendas desde março. “Este movimento pode ser um indício de que a indústria paranaense esteja atingindo o fundo do vale. Os próximos meses serão decisivos para se ter uma visão clara do que deva acontecer no segundo semestre do ano. Tenha-se presente que se noticia, para o Paraná, mais uma exuberante safra de matérias-primas agrícolas como foi a da soja e a que se espera agora do milho e o trigo, que, conjugada com os preços favoráveis dessas commodities no mercado internacional, podem representar injeção significativa de recursos a girarem progressivamente em nosso território”.

Cooperativa comemora crescimento médio de 45%

Na outra ponta, a da indústria, o otimismo com o mercado parece ter voltado, apesar de ainda tímido.

Para o diretor-presidente da Coopavel Cooperativa Agroindustrial com sede em Cascavel, Dilvo Grolli, a indústria, sobretudo a de alimentos, está de olho na perspectiva de crescimento da economia brasileira. “Para este ano se espera crescer 0,8% e para o ano que vem 2%. As indústrias de alimentos estão de olho nestas oportunidades, além da safra recorde de grãos no Estado”.

O Paraná tem 2,32% do território nacional, mas é o segundo maior produtor de grãos do País. No ano de 2016 colheu 35,8 milhões de toneladas e a perspectiva para este ano são 42 milhões de toneladas. “Este crescimento esperado de 17% [para a produção de grãos] está gerando empregos nas agroindústrias, nas cooperativas e nas cerealistas”, comemora.

Há ainda que se mencionar que em outros setores o Paraná ocupa posição de extremo destaque. É o segundo colocado na produção de leite e suínos e é o primeiro na de frangos.

Dilvo Groli lembra que no fim de 2016 a cooperativa tinha 5,4 mil funcionários e em maio de 2017 já são 5,9 mil e as contratações não vão para por aí. “Não vão parar porque aumentamos a produção de suínos em 50%, o recebimento de grãos em 70% chegando neste ano a 15,5 milhões de sacas recebidas de milho trigo e soja, contra 9,5 milhões de sacas no ano passado. A produção de frangos também está crescendo e deverá alcançar a marca de 20% até o fim de 2017”, celebra.

Os empregos e os ganhos

O salário médio da indústria do Paraná, de acordo com dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) de 2015, última disponível ao setor, é de R$ 2.255,00 à indústria de transformação e de R$ R$ 2.013,00 à indústria da construção.

No Paraná existem 32.819 indústrias consideradas de transformação e 17.662 da construção. A primeira emprega 634.665 trabalhadores e a segunda, outros 147.126.

 

Empregos gerados no Paraná

10.125

Empregos gerados em todo o País: 32.435

Dados: Caged