Cidades

Cartilha é lançada em meio a pressão por reabertura

03/08/2013 às 00:39 - Atualizado em 29/08/2014 às 13:51

Josimar Bagatoli 
 

Área de 17,5 km no Parque Nacional do Iguaçu está trancada desde 2001

Em meio a muita polêmica foi lançada ontem, em Serranópolis do Iguaçu e Capanema, uma cartilha com dez tópicos esclarecendo os principais itens relacionados à reabertura da Estrada do Colono. Autoridades de toda a região Oeste estiveram presente.

A via de 17,5 km, que corta o Parque Nacional do Iguaçu ligando o Oeste ao Sudoeste do Paraná, está fechada desde 2001 por determinação da Justiça Federal. A reabertura é tida como essencial para os moradores das duas cidades, que, com o percurso fechado, precisam fazer um trajeto de 230 km para contornar o PNI.

Os primeiros exemplares da cartilha já são distribuídos aos moradores e deverão ser encaminhados também a universidades, associações, escolas e aeroportos da região. O intuito, segundo o deputado federal Assis do Couto, autor do projeto de lei 7.123/2010, que institui estradas-parques em unidades de conservação do País, é conscientizar e esclarecer a população sobre os benefícios desse tipo de via. Para ele, as estradas-parques são instrumentos de preservação da natureza e de aproximação da população dos patrimônios naturais.

 A proposta, inclusive, avança no Congresso Nacional e em breve será encaminhada para decisão no Senado Federal. Caso não sofra alterações, seguirá direto para a sanção presidencial. “Muitas inverdades permeiam esse tema. Quem é contra, diz que a estrada servirá para tráfico de drogas ou que vamos destruir a mata preservada, isso é calúnia. A realidade é que a estrada-parque trará desenvolvimento para a região, principalmente nos aspectos de transporte, turismo, agricultura e meio ambiente. O nosso foco é dialogar com a população, por isso a criação da cartilha que foi criada justamente para desmentir muito do que se tem falado”, pontua o parlamentar.

A questão ambiental é um dos principais eixos que travam a reabertura da estrada. No entanto, o deputado garante que a estrada, ao contrário do que dizem, vai proteger a natureza. “Dizem que os ambientalistas são contra, mas nós também somos ambientalistas, ninguém quer acabar com a proteção ambiental. Eu garanto que nenhuma árvore será derrubada para a instalação da Estrada-Parque, pois o caminho todo será coberto pelas copas das árvores, formando um túnel verde”, pontua.

Para o presidente da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paranpá) e prefeito de Tupãssi, José Carlos Mariussi, a reabertura é uma das principais bandeiras do Oeste. “O desenvolvimento dessa região está diretamente ligado à estrada, principalmente devido à logística de transporte. Esse fechamento é um atraso para os paranaenses que vivem aqui. A Estrada-Parque é a chance que temos de mostrar que natureza e homem podem conviver juntos, de maneira sustentável”, afirma o gestor.

Para o prefeito de Serranópolis, Luiz Ferri, caso as investidas e articulações políticas resultarem na abertura, como desejam os moradores, o PNI será ainda mais preservado. “Ainda há a chance de explorar o turismo ecológico, de forma correta. A reabertura é essencial e só trará ganhos às cidades”. 


Autoridades da região Oeste do Paraná lançaram ontem a cartilha em Serranopólis do Iguaçu


Cartilha

A cartilha com dez pontos sobre o Projeto de Lei foi desenvolvida em parceria com seis entidades. Além da Amop e Amsop, a UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul), a Acamop (Associação das Câmaras do Oeste do Paraná) e as associações das câmaras da região Sudoeste, Acamsop 13 e 14. Entre os tópicos contidos no material está a importância histórica da estrada, a contribuição do caminho para o turismo no Paraná, o reforço na segurança da área de fronteira e o combate a crimes ambientais.

 

Fechamento 

As decisões que determinam o fechamento da Estrada do Colono foram fundamentadas no Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu, que desconsiderou a pré-existência e o funcionamento pleno da estrada. A Justiça buscou a conciliação entre os órgãos ambientais envolvidos no processo, mas o diálogo não aconteceu. A primeira vez que o percurso foi fechado é datado de 1986.

População é favorável 

O Centro de Cultura de Serranopólis do Iguaçu ficou lotado devido ao lançamento da cartilha. No entanto, o interesse principal da população era o de mostrar o apoio à causa da reabertura.  Aos 74 anos, o agricultor Antônio Moraes ainda se lembra de quando a Estrada do Colono foi fechada. “Parecia que nós fazíamos mal ao meio ambiente. Impediram a passagem como se nós, os agricultores, fôssemos criminosos”, recorda. O pequeno produtor diz que ainda sonha com a reabertura da via. “É o que a população mais quer. É como se tudo o que é feito para a cidade girasse em torno da estrada. É mais que um desejo, é uma necessidade”, diz.  O também produtor Arnaldo Santos endossa o coro. “Não queremos destruir, muito menos fazer algo contra lei, a nossa briga é por ter de volta esse trajeto liberado”. 

Publicidade
Publicidade
Publicidade