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Cidades

Prefeito de Capanema diz que a razão deve determinar a reabertura

Juliet Manfrin

26/11/2011 às 00:00 - Atualizado em 01/09/2014 às 10:56

 

Delcio José Tortora

Autoridades presentes na segunda audiência pública que debateu
com a sociedade a possibilidade de reabertura da Estrada do Colono

Capanema - A população de Capanema e região e entidades de classe do Sudoeste do Paraná se mostraram favoráveis à reabertura da Estrada do Clono como proposta de Estrada -Parque Caminho do Colono, assim como pede o projeto de lei 7.123 de autoria do deputado federal Assis do Couto.

A manifestação foi feita ontem à tarde durante audiência pública para tratar do tema no município de Capanema com a presença de mais de 600 pessoas. A primeira audiência nos municípios foi realizada em Serranópolis do Iguaçu há duas semanas.

O encontro reuniu deputados estaduais, federais que compõem a comissão que analisa o projeto, líderes sindicais, empresariais e representantes de entidades de classe, produtores rurais, prefeitos da região e moradores de cidades próximas. Todas as entidades presentes entregaram documentos à comissão apoiando o PL.

Ao lado de Serranópolis e Medianeira, Capanema foi uma das cidades mais prejudicadas com o fechamento da estrada determinada inicialmente pela Justiça há 25 anos. O município que na época contava com aproximadamente 30 mil habitantes teve um déficit populacional de quase 50% nos anos seguintes e a recuperação populacional tem sido gradativa. Hoje está próxima aos 19 mil habitantes. “Isso sem contar as perdas econômicas, financeiras e principalmente no contexto histórico e social que a estrada representava para o município”, disse o prefeito, Milton Kafer.

Numa crítica firme e contundente, o prefeito de Capanema destacou que ao contrário do que ocorreu no fechamento da estrada na década de 1980, agora o assunto é tratado de forma democrática, ouvindo as partes. Que deve ser visto sob a ótica da a razão, não pelas paixões e emoções.

 “As próprias audiências comprovam isso e não estamos aqui apresentando para a Justiça um plano de manejo que diz que a estrada precisa ser interditada como aconteceu na época. Estamos aqui para defender que é possível conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, histórico e social”, destacou.

Interesses comuns

Delcio José Tortora

Audiência pública realizada  ontem em Capanema reuniu
aproximadamente 600 pessoas

A possibilidade de conciliação dita pelo prefeito de Capanema, Milton Kafer, foi justificada pelo autor do projeto, deputado Assis do Couto. Segundo ele, existem no País muitos exemplos de estradas-parque que funcionam com objetivos turísticos e de resgate histórico e cultural. Como exemplo ele citou dois, um no Rio de Janeiro e outro no Rio Grande do Sul. “Não vemos o Caminho do Colono como uma estrada para transporte comercial. Teria objetivos turísticos e resgate histórico”, observa.

O deputado reforça que o projeto não está acabado. Por isso da realização das audiências e principalmente da apreciação posterior que deverá sofrer na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. “Ele pode e certamente vai sofrer alterações”, reforça. 

POSICIONAMENTO

Por e-mail, Setimo Fornazari, que mora em São Miguel do Iguaçu, diz conhecer bem a “novela” da Estrada do Colono. “Minha mãe mora em Pérola do Oeste, parte do Sudoeste onde ainda dormem de janelas abertas. Eles vivem num paraíso, sem assaltos, sem roubos. Sou favorável à abertura, porque estou morando do lado de parque, mas se eu fosse morador do outro lado seria contra. Mais vale a segurança e a tranquilidade do que a indústria do desenvolvimento”, destaca.